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Cultivo de Bananas

Em condições naturais uma bananeira não se apresenta isolada, pois sempre ao seu redor há outras bananeiras em diversos estádios de desenvolvimento. Portanto, a touceira é formada pelas brotações sequenciais constituídas pelos rebentos da primeira, segunda, terceira e outras gerações da muda original. Popularmente são chamadas de: mãe, filha, neto e irmão. Quando é formada uma touceira existe uma competição forte entre essas plantas pelos fatores de crescimento principalmente luz, água e nutrientes, o que prejudica o desenvolvimento e a produção dessas plantas. É por estes motivos que o bananal é conduzido em família, que é um conjunto de rizomas interligados e descendentes representados pela mãe, um filho e um neto, onde todos os demais são eliminados. Permitindo que a bananeira seja explorada como uma planta perene.

 

 

O ciclo de vida da bananeira inicia-se com a brotação da muda e seu aparecimento ao nível do solo. Ou obtenção de mudas micropropagadas que são então transferidas para a área de plantio. Com seu crescimento há a formação da planta, que irá produzir um cacho cujos frutos são colhidos. Verifica-se em seguida a seca de todas as suas folhas, quando se diz que a planta morreu. Apenas após as 3 primeiras colheitas se estabelece o clímax ou equilíbrio em termos de produção do bananal.

 

 

 

 

Portanto, os maiores rendimentos em t/ha/ano são obtidos nos 3 primeiros anos após o plantio. Passado esse período, o bananal entra em equilíbrio e a colheita é realizada semanalmente, durante todo o ano, variando o rendimento de acordo com o clima da região. Quanto mais rápido ocorrer os ciclos, maior será o rendimento em t/ha/ano. Portanto, o crescimento da planta mãe deve estar bem sincronizado com o desenvolvimento do rebento seguidor. Os ciclos são fortemente influenciados por fatores como: porte da cultivar, o clima da região, fertilidade do solo, regime de nutrição, densidade e espaçamento de plantio e as técnicas culturais, principalmente irrigação e desbastes.

 

 

 

 

Doenças e Pragas

Danos ocasionados por doenças e pragas são alguns dos fatores que concorrem para a baixa produtividade dos bananais brasileiros. Além disso, podem interferir na qualidade do produto, depreciando seu valor para a comercialização. Para minimizar tais efeitos, os produtores devem efetuar medidas de controle que sejam ao mesmo tempo, eficientes, econômicas, não poluentes e pouco tóxicas. Assim destacam-se algumas pragas e doenças que são descritas abaixo:

 

 

Sigatoka Amarela

A sigatoka Amarela é causada pelos fungos Mycosphaerella musicola e Pseudocercospora musae. Inicialmente, são observados entre as nervuras secundárias uma leve descoloração circular que forma uma estria de cor amarela que avança para o marrom-escuro. Com o progresso da doença, as estrias expandem-se radialmente e assumem o formato de manchas necróticas elíptico-alongadas e dispõem-se paralelas ás nervuras secundárias, podendo causar a seca total da folha. Esta é uma das mais importantes doenças da bananeira sendo também conhecida como mal de Sigatoka. Apresenta distribuição endêmica no País, causando perdas que reduzem, em média, 50% da produção.

 

 

Sigatoka Negra

Esta é a doença mais grave da bananeira e sua ocorrência no Brasil modificou drasticamente o sistema de produção e as estratégias de controle. Causada pelo fungo Mycosphaerella fijiensis, a doença afeta o crescimento e a produtividade das plantas, por destruir as folhas e comprometer a capacidade fotossintética. A evolução das lesões na parte inferior das folhas mais jovens ocorre rapidamente, passando de amarela para marrom e negra, avançando para uma necrose nos tecidos, sem que se forme um halo amarelado ao redor das mesmas.

 

 

 

Mal do Panamá

Esta é considerada a mais severa, pois sua ocorrência afeta a absorção e o transporte de água e nutrientes para a parte aérea da planta. É causada pelo fungo Fusarium oxysporum f. sp. cubense. É disseminado principalmente por mudas contaminadas, água de irrigação, máquinas e implementos agrícolas. Internamente, num pseudocaule cortado, pode ser observada descoloração vascular pardo-avermelhada enquanto que externamente, nas folhas, ocorre um amarelecimento progressivo das folhas mais velhas para as mais novas que culminam com a murcha, seca e quebradas mesmas junto ao pseudocaule.

 

 

 

 

 

 

Moko

O moko ou murcha bacteriana da bananeira (Ralstonia solanacearum), por ser uma doença vascular, pode atingir todas as partes da planta. Em plantas jovens, os sintomas da doença caracterizam-se por má-formação foliar, necrose e murcha da folha cartucho ou vela, seguidos de amarelecimento das folhas baixeiras. Em plantas adultas, ocorre amarelecimento das folhas basais e murcha das folhas mais velhas. Em solos férteis, com bom teor de umidade, os pecíolos quebram junto ao pseudocaule, dando à planta o aspecto de um guarda-chuva fechado.

 

 

 

 

Nematóide

Os nematoides mais frequentes na bananicultura brasileira e mundial no sistema radicular são: nematoide-cavernícola, nematoide-das-galhas, nematoide-espiralado, nematoide-das-lesões e nematoide-reniforme. Os danos causados por esses patógenos podem ser observados por redução no porte da planta, amarelecimento das folhas, seca prematura e má-formação de cachos.

 

 

 

 

Broca do Rizoma

A broca Cosmopolites sordidus, conhecida popularmente como moleque da bananeira ou broca do rizoma ocorre em todas as regiões produtoras de banana. O inseto é um besouro de cor preta, com aproximadamente 1 cm, que possui hábito noturno. É na fase de larva que essa praga causa os maiores prejuízos à bananeira, pois ao percorrerem o rizoma para de alimentar, abrem galerias que deixam a planta mais sensível ao tombamento e também limitam a circulação de seiva que resulta no menor peso dos cachos e tamanho dos frutos, podendo resultar na morte da planta e/ou favorecer a entrada de patógenos de solo.

 

 

 

CMV (Cucumber mosaic virus)

Essa virose é causada pelo vírus do mosaico do pepino que é transmitido por várias espécies de pulgões. A fonte de inóculo para a infecção de novos plantios provém geralmente de outras culturas ou de plantas daninhas. Os sintomas variam de estrias amareladas, mosaico, redução de porte, distorção foliar até necrose do topo. Pode haver também distorção dos frutos, com o surgimento de estrias cloróticas ou necrose interna, e necrose da folha apical e do pseudocaule, quando ocorrem temperaturas abaixo de 24 ºC.

 

 

 

BSV

O BSV produz inicialmente estrias amareladas nas folhas, que posteriormente ficam escurecidas ou necrosadas. No pseudocaule de estrias longitudinais de coloração amarronzada. Pode ocorrer a deformação dos frutos e a produção de cachos menores. As plantas apresentam menos vigor, podendo em alguns casos ocorrer a morte do topo da planta, assim como necrose interna do pseudocaule.

Técnica de micropropagação in vitro e inovação tecnológica

O processo técnico, dentro do laboratório da biofábrica, utiliza a técnica de micropropagação in vitro. Envolvendo etapas que vão desde a seleção das plantas matrizes até produzir mudas prontas para serem levadas ao campo. Esta técnica é dividida em 5 etapas básicas e demanda de 8 a 12 meses dependendo da espécie e variedade.

As etapas do processo podem ser entendidas, como descritas brevemente, a seguir:

Etapa 0 – Seleção da planta matriz / planta mãe

Antes do início da micropropagação, deve-se prestar muita atenção à seleção do matrizeiro, construindo assim o jardim clonal que servirá de suporte para a seleção das plantas elites. Elas devem ser geneticamente melhoradas e estáveis e livres de qualquer tipo de doença. Além de serem altamente produtivas devem ser uniformes no campo e, por tanto, apresentando qualidade superior as demais. Junto a esta seleção, em campo, pode ser realizado tratamentos específicos, nas plantas, para facilitar o estabelecimento nas próxima etapas in vitro.

Etapa 1 – Estabelecimento do explante in vitro

Com as plantas selecionadas, isola-se e se extrai parte da planta que irá ser utilizada para dar início ao processo de propagação, que são os explantes, que em laboratório são submetidos ao processo de desinfestação para eliminação de microrganismos. Então, são inoculados em meio de cultura que fornecerá todas as condições necessárias para seu desenvolvimento. Tudo isto em condições assépticas, pois não pode haver contaminações por microrganismos.

Etapa 2 – Multiplicação de brotos

Após o período de adaptação a condição de laboratório as plantas passam para a fase de multiplicação propriamente dito. Esta etapa compreende os diversos ciclos de repicagem e transferência para frascos contendo novos meios de cultura. Para que assim obtenha-se novas brotações e, consequentemente, aumento do número de mudas. Este processo pode ser realizado por alguns ciclos, levando sempre em consideração os cuidados para não haver o surgimento de variantes soma clonais, que são plantas com características distintas da planta mãe.

Etapa 3 – Alongamento e enraizamento

Consiste na finalização das multiplicações e, por conseguinte, o alongamento das mudas e indução da formação de raízes ainda no cultivo in vitro. Obtendo assim uma muda completa, possuindo parte aérea e raízes bem desenvolvidas. Quando as mesmas atingem o tamanho adequado, elas então, são transferidas para estufas ou similares que compreende a próxima etapa.

Etapa 4 – Aclimatização – Transferência para ambiente natural

Nesta fase as mudas são transferidas para estufins, estufas e/ou telados, visando
promover a adaptação das plantas ao ambiente externo, antes do transplante, em definitivo para condições de campo. Esta é sem dúvida uma das fases mais delicada, pois as mudas não estão adaptadas para condições ambientais reais. Por isso deve-se ter um cuidado maior para prepara-las para o campo.

Artigos Técnico Científicos

Aguarde! O conteúdo será adicionado posteriormente.

GASPAROTTO, L. e PEREIRA, J.C.R. (2016). Manual de identificação de doenças e pragas da cultura da bananeira. Brasília: EMBRAPA. 110 p.

SCARPARE FILHO, J.A., et al. (2016). Cultivo e produção de banana. Piracicaba: ESALQ. 84 p.

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GASPAROTTO, L. e PEREIRA, J.C.R. (2016). Manual de identificação de doenças e pragas da cultura da bananeira. Brasília: EMBRAPA. 110 p.

SCARPARE FILHO, J.A., et al. (2016). Cultivo e produção de banana. Piracicaba: ESALQ. 84 p.

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